Kognitiv Consultoria Educacional e Psicológica

A parte que falta: o que completa, de fato, uma escola?

 

A caminhada em busca do que falta

No delicado livro A parte que falta, de Shel Silverstein, acompanhamos
um pequeno círculo incompleto que segue pelo mundo em busca do pedaço que
lhe falta. Enquanto caminha, ele canta, observa as paisagens, conversa com
pequenos seres e vive, com calma, cada parte do caminho.

Em um dos trechos mais conhecidos, ele diz:
– “Estou procurando a minha parte que falta.”
A frase é simples, quase infantil, mas guarda uma profundidade que
conversa diretamente com o início de um ano letivo. Afinal, cada começo de ano
traz consigo expectativas, dúvidas, desejos e necessidades. Professores,
gestores, estudantes e famílias chegam à escola, de algum modo, também
procurando algo que lhes falta: sentido, apoio, confiança, pertencimento.
Em outra passagem marcante, depois de encontrar o pedaço que parecia
completar seu vazio, o pequeno círculo descobre uma nova sensação:
– “Agora que tenho a minha parte que falta, posso rolar muito rápido.”
E ele realmente rola rápido. Rápido demais para cantar, para observar as
flores, para conversar com o verme que encontrava pelo caminho. A completude,
que parecia ser a solução, acaba afastando aquilo que dava sentido à sua
caminhada.
Essa parte da história nos convida a pensar sobre o ritmo da escola.
Muitas vezes, pressionados por prazos, metas e resultados, acabamos também
“rolando rápido demais”. E, quando isso acontece, perdemos tempo para aquilo
que realmente sustenta a aprendizagem: o encontro, a escuta, o cuidado, a
presença.
A escola, como o pequeno círculo da história, está sempre em movimento.
Ela não é algo pronto ou acabado. Ela se constrói todos os dias, nas conversas
de corredor, nas reuniões, nos planejamentos, nas aulas, nos recreios, nas
dificuldades e nas conquistas. É um organismo vivo, feito de relações.
Por isso, talvez possamos dizer que a escola também é um círculo em
busca de suas partes. A gestão organiza e dá direção ao trabalho coletivo. Não
como controle, mas como cuidado com o sistema, com as pessoas e com os
processos. Uma gestão presente não é aquela que apenas cobra resultados,
mas aquela que acompanha, escuta e cria condições para que todos possam
trabalhar melhor.
O professor, por sua vez, é quem transforma as intenções em
experiências reais. É ele quem acolhe o estudante no primeiro dia, quem percebe
o olhar inseguro, quem adapta a explicação, quem insiste quando o aluno ainda
não compreendeu. A presença do professor é cotidiana, silenciosa, mas
profundamente transformadora.
E a família, muitas vezes distante do espaço físico da escola, é presença
constante na vida da criança ou do jovem. Está nas conversas antes de dormir,
nos conselhos, nas preocupações, no incentivo. Quando a família confia na
escola e se aproxima dela, o estudante se sente mais seguro para aprender.
Cada um desses elementos é uma parte essencial do círculo.
A escola não precisa ser perfeita para ser boa. Ela precisa ser humana.
Talvez o início do ano letivo seja justamente esse tempo de caminhar mais
devagar, de olhar para os rostos, de reconstruir vínculos, de reorganizar as
rotinas com sentido. Antes de qualquer meta pedagógica, a escola precisa
garantir algo muito mais simples e profundo: que todos se sintam parte dela.

 

Quando as partes caminham juntas

O pequeno círculo de A parte que falta nos lembra que a vida não se
resume a encontrar o pedaço perfeito, mas a aprender com o caminho e com os
encontros que fazemos ao longo dele.
A escola também se constrói assim: não pela ausência de problemas, mas
pela presença das pessoas.
Neste início de ano letivo, talvez a pergunta mais importante não seja
apenas “o que falta?”, mas quem pode estar mais presente?
Presente para acolher.
Presente para orientar.
Presente para aprender junto.
Porque quando gestão, professores e famílias caminham na mesma
direção, a escola deixa de ser um círculo incompleto e se transforma em um
espaço de confiança, aprendizagem e esperança.

Bibliografia:

SILVERSTEIN, Shel. A parte que falta. São Paulo: Companhia das Letrinhas,

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